ESPIRITISMO E ARTE

“O Espiritismo irá depurar a arte que conhecemos e esta arte, depurada, será aquela inspirada nos ensinamentos da Doutrina Espírita”. (Espírito Rossini em Obras Póstumas)

11 – A TRANSIÇÃO PLANETÁRIA E OS ARTISTAS

MEMÓRIAS DE UM SUICIDA

Yvonne A. Pereira pelo espírito Camilo Cândido Botelho

 

Segunda Parte

Capítulo 6

 

Surpreendidos, verificamos haver ingressado em recinto que se afigurava à nossa apreciação como legítimo cenáculo de Arte, recanto sedutor, se assim nos podemos referir a um atelier de artistas eméritos, onde mestres das artes plásticas exerciam sublimes encargos, cônscios das responsabilidades de que os investia a ação da Divina Providência.

 

Terceira Parte

Capitulo 3

 

Aprendíamos, ainda!

Progredíamos em conhecimentos obtendo, nas citadas reuniões, noções de Arte Clássica Transcendental, de que eram dignos expoentes não apenas nossos mestres, como outros que caridosamente nos visitavam, e até nossas vigilantes, que ensaiavam com eles nova modalidade de servir a Deus e à Criação, isto é, utilizando-se do Belo, empregando a Beleza!… pois convém acentuar que nossos mestres, em sendo cientistas, também se revelavam estetas, enamorados da Suprema Beleza que se origina do Sempiterno Artista!

 

Terceira Parte

Capitulo 4

 

Os dias consagrados a tais exames eram festivos para todo o Burgo da Esperança. Legítimos certamens de uma Arte Sagrada – a do Bem -, o encanto que de tais reuniões se destacava ultrapassava todas as concepções de beleza que antes poderíamos ter! Esforçavam-se as vigilantes na decoração dos ambientes, na qual entravam jogos e efeitos de luzes transcendentes indescritíveis em linguagem humana, enquanto luminares de nossa Colônia, como Teócrito, Ramiro de Guzman e Aníbal de Silas se revelavam artistas portadores de dons superiores, quer na literatura como na música e oratória descritiva, isto é, na exposição mental, através de imagens, das produções próprias.

De outras esferas vizinhas desciam caravanas fraternas a emprestarem brilho artístico e confortativo às nossas experimentações. Nomes que na Terra se pronunciam com respeito e admiração acorriam bondosamente a reanimar-nos para o progresso, ativando em nossos corações humílimos o desejo de prosseguir nas pelejas promissoras. Não faltaram mesmo em tais assembleias o estimulo genial de vultos como Victor Hugo e Fréderic Chopin, este último considerado suicida na Pátria Espiritual, dado o descaso com que se ativera relativamente à própria saúde corporal; ambos, como muitos outros, cujos nomes surpreenderiam igualmente o leitor, exprimiam a magia dos seus pensamentos, dilatados pelas aquisições de longo período na Espiritualidade, através de criações intraduzíveis para as apreciações humanas do momento!

Tivemos, assim, ocasião de ouvir o grande compositor que viveu na Terra mais de uma experiência carnal, sempre consagrando à Arte ou às Belas-Letras as suas melhores energias mentais, traduzir sua música em imagens e narrações, numa variedade atordoadora de temas, enquanto que o gênio de Hugo mostrava em lições inapreciáveis de beleza e instrução a realidade mental de suas criações literárias!

 

DEVASSANDO O INVISÍVEL

Yvonne A. Pereira

Capítulo 3

Frederico Chopin, na Espiritualidade

 

(…) Interessa-se profundamente pela Doutrina dos Espíritos, pois confessa que, em suas existências passadas, não chegou a se dedicar fielmente a nenhum credo religioso, não obstante estivesse convencida da ideia de Deus, da imortalidade da alma e da eternidade e imutabilidade das leis divinas. Sua religião tem sido, através dos milênios, as Artes, pois afirma ter vivido em várias épocas sobre a Terra, sempre como artista  destacado. Ele serviu mesmo, como gênio inesquecível, as Belas Artes, a Arquitetura, a Pintura e finalmente a Música, que parece ser o ponto culminante das Artes em nosso planeta, o ápice da sensibilidade que um gênio da Arte pode galgar no estado de encarnação.

No momento, porém, podemos afirmar, convincentemente, graças a um convívio assíduo e fecundo com beneméritos amigos invisíveis, que os nobres artistas do passado, exceção feita de alguns poucos, se encontram reunidos na Pátria Espiritual, onde progridem e se habilitam para. em ocasião oportuna, voltarem em falanges brilhantes, a fim de viverem nas sociedades terrenas servindo à Arte, a qual, então, alcançará um inconcebível fastígio, como ao Amor, a que não serviram ainda, pois eles próprios têm feito tais confissões sempre que lhes é permitido confabular com os médiuns. Confessam, outrossim, o grande desgosto que os acompanha quando reconhecem que, no estado de encarnação, arrebatados pela Arte, esqueceram os caminhos luminosos conducentes à redenção espiritual, o que nos leva à conclusão de que a Arte, por si só, não redime ou santifica o artista. Ele necessitará, além dela, do cultivo do amor a Deus e ao próximo, da excelência de uma fé inquebrantável nos princípios divinos, pois a lei que do Todo-Poderoso emanou, para orientar o trajeto evolutivo das criaturas, não foi diferente para os artistas.

(…) Asseverounos que sabia ser ele muito amado pelos brasileiros, o que particularmente o enternece. Mas observa que ninguém lhe dirige uma prece, e que necessita desse estímulo para as futuras tarefas que empreenderá, ao reencarnar, quando pretende servir a Deus e ao próximo, o que nunca fêz através da música. Declarou que, salvo resoluções posteriores, pretende reencarnar no Brasil, país que futuramente muito auxiliará o triunfo moral das criaturas necessitadas de progresso, mas que tal acontecimento só se verificará do ano de 2000 em diante, quando descerá à Terra brilhante falange com o compromisso de levantar, moralizar e sublimar as Artes. Não poderá precisar a época exata. Só sabe que será depois do ano de 2000, e que a dita falange será como que capitaneada por Vítor Hugo, Espírito experiente e orientador (a quem se acha ligado por afinidades espirituais seculares), capaz de executar missões dessa natureza

(…) Ainda na mesma oportunidade, afirmou o instrutor espiritual Charles que Frederico Chopin seria a reencarnação do poeta romano Ovídio, que viveu cerca de quarenta anos antes do Cristo, falecido no ano 16 da nossa era, e do pintor itAllano Rafael Sanzio, pois que o intelectual, o artista, na sua evolução pelo roteiro do Saber, dentro da Arte, há de passar por todas as suas facetas, sublimando-se até à comunhão com o Divino.

(…) que vêm à Terra quando o desejam, e por uma especial solidariedade para com os humanos, a fim de estimularem entre estes o amor pelo Belo, pois que esse atributo, o Belo, é tão necessário às almas em progresso quanto o Amor, visto tratar-se também de um dos atributos do próprio Criador de Todas as Coisas, e que, sendo o Universo uma expressão da Beleza Divina, e sendo o homem destinado a se tornar a imagem e a semelhança de Deus, deverá igualmente comungar com o Belo, a fim de poder compreender o Universo e com ele vibrar em toda a sua arrebatadora, feérica e harmoniosa beleza.

 

TRANSIÇÃO PLANETÁRIA

Divaldo Franco pelo espírito manoel Philomeno de Miranda

 

Capítulo 01

Novos Rumos

 

Nesse ínterim, suave musicalidade chegou-nos aos ouvidos, oriunda do santuário próximo onde se ensaiavam as partituras da Missa em si menor, de Johann Sebastian Bach, originalmente composta para orquestra, mas ali apresentada em órgão magistralmente dedilhado com o coral infantil de nossa comunidade…

Experimentamos a sensação de que, naquele momento, os Céus comunicavam-se com nossa Colônia

Realmente, essa ocorrência tinha lugar, porque o edifício reservado às celebrações do amor e da fé religiosa encontrava-se iluminado com tonalidades prateadas e azuis suaves. Particularmente chamou-se a atenção o movimento das ondas sonoras, que obedeciam ao ritmo suave e doce do órgão e das vozes infantis.

Quase extasiado, ia falar ao amigo Oscar, quando lhe percebi chorando discretamente.

 

Capítulo 3

A Mensagem-Revelação

 

A semelhança das ondas oceânicas a abraçarem as praias voluptuosamente, sorvendo as rendas de espumas alvas, os novos obreiros do Senhor se sucederão ininterruptamente alterando os hábitos sociais, os costumes morais, a literatura e a arte, o conhecimento em geral, ciência e tecnologia, imprimindo novos textos de beleza que despertarão o interesse mesmo daqueles que, momentaneamente, encontram-se adormecidos.

 

Capítulo 15

Experiências Iluminativas

 

Em nossa esfera de ação espiritual, por exemplo, as paisagens são ricas de tonaldiade incomparáveis, nasceres e pores-do-sol portadores de luzes em tons indefiníveis, jardins e nascentes de água cristalina, em jorros intermináveis, flores em festões multicoloridos e perfumes suaves e penetrantes, educandários e teatros para formação  intelecto-moral, hospitais e sanatórios modelares, que deverão inspirar as futuras construções terrestres conforme já vem acontecendo, galerias de arte em todos os gêneros, em que nobres artistas aprimoram a capacidade de registro para tornarem a Terra um planeta paradisíaco.

 

Capítulo 16

Programações Reencarnatórias

 

Ciladas habilmente organizadas, estereótipos do prazer e estímulos vulgares às sensações passaram a ser inspirados aos multiplicadores de opinião dos grandes veículos da mídia, de modo a perturbar a marcha do progresso, ampliando a área dos desmandos de toda ordem, especialmente a que diz respeito aos gozos servis e de fácil acesso.

Conclaves insidiosos organizados pelos inimigos do Bem, nas furnas em que se homiziavam, estabeleceram metas de vingança, utilizando-se da política sórdida a que se entregam muitos dos seus membros, ora reencarnados nessa área, como nas religiões, nas artes e noutros setores sociais, a fim de que chafurdem no lodaçal do caos moral, em estímulo negativo aos comportamentos saudáveis, fazendo campear o descrédito, o desrespeito às leis e aos deveres, na volúpia de acumula: recursos que não são transferidos com a desencarnação, mas entorpecem os significados elevados da existência espiritual.

 

ATUALIDADE DO PENSAMENTO ESPÍRITA

Divaldo Franco pelo espírito Vianna de carvalho

 

Tópico 9.1

Questão 204

 

A fim de que se expressem novas formas de comportamento em todas as áreas do progresso humano, a Divindade faz com que reencarnem na Terra os grandes Missionários, a fim de darem cumprimento a esses objetivos elevados.

Neste crepúsculo de milênio e quase amanhecer de uma Nova Era, já se encontram em processos de renascimento orgânico os Missionários da beleza, qul tem sucedido em todos os períodos passados, trazendo programas de rara sensibilidade e emoção, promovendo as variadas expressões da Cultura, da Ciência e da Arte.

 

VOZES DO INFINITO

Raul Teixeira por diversos espíritos

 

A MISSÃO DA ARTE

 

A Arte é das mais profundas formas de expressão que o Espírito pode encontrar sobre a Terra.

Quando penetrada por ideais de excelência, cabe à Arte o labor de cooperar no desenvolvimento da estesia nas criaturas de Deus.

Assim, o artista é alguém dotado dessas sutis percepções, tendo possibilidades, muitas vezes, de captar a vibração superior da Vida, as ondas luminosas de esferas cerúleas e apresentar aos homens o produto de sua filtragem.

O artista imbuído da Arte que se agita nos painéis do Cosmo, quando segue fiel aos preceitos do equilíbrio da realização do bem, não poucas vezes se faz intérprete de fulgurantes mensagens, depositário que se torna dos fulgores estelares.

Cooperador de Deus, cabe ao artista desenvolver ou colaborar para que se desenvolvam nos seres humanos os sentimentos do belo, do inefável, do indefinível.

Não é por outra causa que deparamos com artistas de níveis variados, atendendo aos Programas da Divindade nos patamares mais diversos pelo mundo.

Dos tambores rústicos da selva aos violinos apaixonados e rútilos concertos, vemos a Presença de Deus.

Do totem dos prístimos dias da tribo, às esculturas de Miguel Ângelo, na Europa, percebemos a Presença de Deus.

Das evocações do vozerio rítmico dos polinésios às mais formidáveis sinfônicas do mundo, sentimos a Presença de Deus, conduzindo Seus filhos ao amadurecimento estético, aos voos mais altos da sensibilidade, a fim de que O compreendam, gradativamente, na fileira evolutiva.

Não podemos ignorar, contudo, que aparecem aqui e ali, em muitos lugares, e mesmo que luxuriam em vários locais no mundo, almas infernizadas em si mesmas, marcadas pelos institntos rebaixados do crime, possuidores de pulsões anímicas aberrantes, que se mostram como artistas, impondo aos despreparados e incautos as suas alucinações íntimas as quais nomeiam como arte.

No momento em que vive a Humanidade em meio de tantas confusões conceptuais e do gargalhar do deboche, mesmo nas áreas onde deveria vigorar o legítimo e o são, a irrisão campeia, a loucura toma foros de destaque e se projeta na telas como nas pautas, nos palcos como na literatura, enrodilhando um incontável número de indivíduos em suas sombras.

Na hora torturante pela qual passam os homens da Terra encontramos grande leva de considerados artistas que, ignorando a sua missão de contribuir com a Obra do Criador, enleiam-se nos fios da vaidade e ao revés de prestarem homenagem à Vida Cósmica por meio da sua arte, poem-se como centros dessa arte, buscando o aplauso e a fama, a riqueza e os fogos-fátuos que brilham por pouco tempo, deixando trevas e amargores, lágrimas e frustrações nas almas dos desprevenidos comerciantes da Arte.

Se identificas em tuas possibilidades a Presença do Senhor a se fazer através de diversificada expressão artística, eleva-te, aprimora-te, ilumina-te, conquista-te e deixa-te a ti mesmo penetrar pelas vibrações dos seres Angélicos, que honram a Deus, espargindo amor e saúde pelo Universo, a fim de que, ao longo dos tempos, participes dos seus misteres.

Fazer arte, em verdade, é louvar a Deus alcandorando os seres da Humanidade.

Engaja-te nesse labor e deixa brilhar, também aí, a tua luz.

Camilo

(por José Raul Teixeira)

 

 

 

Os comentários estão desativados.